Os impactos das medidas políticas de Donald Trump em seu segundo mandato sobre a inteligência artificial foram discutidos no Mobile World Congress, onde o foco recaiu sobre o desejo de transformar os EUA na capital mundial dessa tecnologia.

Os impactos políticos das medidas adotadas pelo segundo mandato de Donald Trump na presidência dos Estados Unidos em relação à inteligência artificial (IA) foram um dos principais assuntos debatidos no Mobile World Congress (MWC). Desde que voltou à Casa Branca há um mês, o republicano revogou decretos do antecessor, Joe Biden, e adotou uma postura menos colaborativa nessa corrida tecnológica, visando tornar os EUA “a capital mundial da IA”.

Painel IA sob o governo de Donald Trump

Painel analisou o impacto do segundo governo de Donald Trump sobre o desenvolvimento da IA no mundo (Crédito: Caio Fulgêncio)

Marcos Somol, cofundador e CEO da Hyacinth AI, destacou que a administração de Trump está priorizando “dinheiro e poder”. De acordo com ele, a ligação do presidente com grandes empresas de tecnologia indica que essas serão as primeiras a se beneficiar. Entretanto, as empresas menores também devem encontrar oportunidades nesse novo cenário.

As incertezas também envolvem o setor público, especialmente após a revogação de salvaguardas estabelecidas anteriormente pela gestão Biden. Mallory Knodel, especialista em tecnologia, expressou preocupações sobre a falta de normas que assegurem a proteção de dados e a conformidade em tecnologias sensíveis.

Desafios na Europa

O anúncio da iniciativa Stargate, que investirá US$ 500 bilhões em infraestrutura de IA nos próximos quatro anos, intensifica o desejo de Trump de elevar os EUA à vanguarda tecnológica. Enquanto isso, a Europa continua a desenvolver regulamentações rigorosas para a IA, buscando manter sua posição, conforme a opinião de especialistas é que, mesmo não sendo a líder global, a UE pode se recuperar com inovações direcionadas em áreas específicas.

Governança e regulação global

Enquanto os EUA estão distantes de estabelecer regulamentações claras, a União Europeia ativa revisões normativas, buscando um marco legal que assegure o uso responsável da IA. A legislação europeia procura ser um exemplo de padronização global, embora a falta de incentivos para que empresas compartilhem metodologias possa comprometer a colaboração necessária.

É evidente que o debate sobre regulação vs. inovação será decisivo para o futuro da inteligência artificial, impactando não apenas o setor tecnológico, mas também aspectos críticos como privacidade e direitos humanos. Mallory alerta que a desregulação excessiva pode levar a consequências éticas e legais significativas, especialmente no uso de dados sensíveis.