O fundador da Gocil, Washington Cinel, e sua empresa obtiveram aprovação para recuperação judicial com dívidas que totalizam R$ 1,7 bilhão, visando preservar 70 mil empregos e continuar operações.
O Grupo Cinel, proprietário da Gocil, uma das maiores empresas de segurança privada do Brasil, teve seu plano de recuperação judicial aprovado em assembleia de credores na última sexta-feira, dia 21. As dívidas do grupo somam impressionantes R$ 1,7 bilhão. Considerando a importância do agronegócio, 58,82% de toda a dívida envolve Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) e Fiagros, refletindo a ligação da empresa com a agricultura. A Gocil, que também enfrenta uma dívida de R$ 280 milhões, é a responsável por 75% das dívidas quirografárias, onde não há garantia real. Os maiores credores são o Banco do Brasil, que possui R$ 370 milhões em créditos, e o BNB, com R$ 136 milhões. O pedido de recuperação, encaminhado em outubro de 2023 ao Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), foi justificado pelo aumento da taxa de juros e os impactos econômicos da pandemia. O grupo investe esforços para garantir a continuidade dos serviços e a manutenção de 70 mil empregos. Além disso, o Grupo Cinel já iniciou a capitalização para saldar esta dívida, incluindo a venda de imóveis, especialmente em terras do Nordeste, que se valorizam no mercado. Outra estratégia é a captação de até R$ 75 milhões em empréstimos junto ao BTG Pactual na modalidade DIP (debtor-in-possession). A Gocil, que nasceu há 40 anos com apenas sete vigilantes, hoje tem mais de 20 mil funcionários e planeja diversificar sua atuação, incluindo serviços nos setores de saneamento e infraestrutura, aumentando sua capacidade de faturamento, que em 2024 superou R$ 1 bilhão.