Com o aumento do número de idosos e a queda nas taxas de nascimento, as mudanças demográficas impactam profundamente a economia mundial, sinalizando novos desafios econômicos e sociais.
O envelhecimento da população associado à queda da fertilidade em várias partes do mundo está alterando as estruturas etárias tradicionais. O surgimento de uma nova ordem populacional, caracterizada por contrastes demográficos notáveis, transforma as tradicionais pirâmides populacionais em um formato mais akin a um obelisco, claramente achatado na base.
Essa nova configuração demográfica não é apenas um novo desenho nos gráficos, mas representa uma mudança significativa na dinâmica econômica global, impondo desafios profundos para economias ao redor do mundo. Economias desenvolvidas e até nações como a China, onde se prevê que a parcela de pessoas em idade produtiva deverá cair de 67% para 59% até 2050, estão no epicentro dessa transformação.
E mudanças no Brasil
Essas preocupações são igualmente relevantes para o Brasil, uma vez que, entre 1997 e 2023, a contribuição da demografia para o PIB per capita foi positiva, adicionando 0,4 pontos percentuais ao ano. Contudo, projeções para o período de 2023 a 2050 indicam que a transição demográfica pode levar a uma redução de 0,3 pontos percentuais anuais no PIB per capita.
A taxa de fertilidade brasileira, atualmente em 1,62 filhos por mulher, já está abaixo da taxa de reposição necessária de 2,1 filhos, projetando um futuro no qual a população deverá atingir seu pico ao longo das próximas décadas, seguida por uma significativa diminuição.
Segundo especialistas, a redução na população em idade ativa representa um aumento das pressões sobre a força de trabalho existente. O caminho para manter o crescimento econômico passará por investimentos em tecnologia e melhorias de produtividade.
Pressão geral sobre a previdência
A diminuição do chamado bônus demográfico, onde há mais pessoas na força de trabalho comparadas aos aposentados, já está impactando negativamente a sociedade. A velocidade com que a expectativa de vida tem aumentado traz à tona a necessidade de reformas previdenciárias significativas, caso contrário, os sistemas podem se tornar insustentáveis no futuro próximo.
Sem medidas adequadas, as futuras gerações poderão herdar economias estagnadas e um equilíbrio demográfico desafiador, o que exigirá mudanças profundas na forma como as sociedades organizam suas economias e políticas sociais.