BNDES decidiu não votar sobre a listagem da JBS nos EUA, eliminando um obstáculo importante, mas analistas alertam para desafios que ainda precisam ser superados.
A holding controladora do frigorífico JBS (JBSS3), a J&F, firmou um acordo com o BNDES que permite à companhia superar o principal obstáculo para uma aguardada listagem nos Estados Unidos. Após o anúncio, as ações da JBS subiram 17,89%, alcançando R$ 38,61.
O acordo com a BNDESPar, maior acionista minoritário da JBS, assegura que o banco se absterá de votar contra a dupla listagem. Como contrapartida, o BNDESPar terá direito a uma remuneração futura, que deverá protegê-lo parcialmente caso as ações não se valorizem até um determinado patamar — ainda não divulgado — após a dupla listagem, prevista para ocorrer até 31 de dezembro de 2026.
Analistas do JPMorgan acreditam que a incerteza sobre a posição do BNDES era um dos principais fatores que atrasavam a listagem, anunciada há mais de um ano. Com o banco fora da votação, as expectativas são de que a JBS não enfrente grandes dificuldades para aprovar a operação.
Atualmente, a JBS negocia com um desconto de 46% em relação à sua principal concorrente nos EUA, a Tyson Foods. Os analistas do JPMorgan reiteram a recomendação de compra para a JBS, com um preço-alvo de R$ 46.
A notícia foi considerada muito positiva pelo Bradesco BBI, que considera que o acordo elimina o risco de um movimento do BNDES que poderia bloquear esta listagem. Além disso, a expectativa é que o processo de listagem nos EUA ocorra mais cedo do que o inicialmente previsto, podendo ser uma oportunidade para a JBS reduzir a disparidade de avaliação em relação aos seus pares americanos.