Uma nova criptomoeda chamada $Libra enganou investidores em US$ 250 milhões; ela foi promovida pelo presidente Javier Milei. Nessa análise, os bastidores do que ficou conhecido como o ‘criptofiasco’ na Argentina são explorados.

O escândalo começou com um tweet. “O mundo quer investir na Argentina”, postou Javier Milei, presidente do país, às 19h01 em 14 de fevereiro, oferecendo um código para comprar uma nova criptomoeda.
A moeda digital se chamava $Libra e havia sido criada 23 minutos antes. Nas horas seguintes, milhares de pessoas investiram, e o valor da $Libra disparou, mas rapidamente colapsou. Os maiores acionistas venderam suas moedas, resultando em uma perda coletiva de US$ 250 milhões para a maioria dos investidores.
Veteranos de criptomoedas classificaram o evento como um clássico “rug-pull”, onde insiders vendem suas participações com lucro, à custa dos investidores comuns que entraram tarde demais.
Como resultado, críticas se intensificaram, com a oposição pedindo o impeachment do presidente Milei, enquanto o povo argentino se mobilizava em reação ao golpe financeiro. Investigações foram abertas, mirando a conduta do presidente e seu círculo próximo.
Logo após o escândalo do $Libra, Milei se dirigiu a Washington para um discurso na Conferência de Ação Política Conservadora, ao lado de Donald Trump, enquanto enfrentava um clima tenso em sua própria nação.
As alegações de Milei de que não tinha nenhuma relação com o projeto foram rapidamente questionadas, levantando suspeitas sobre conivências e subornos dentro de sua administração. Analistas acreditam que essa situação expõe como políticas e criptomoedas podem se entrelaçar de forma problemática, enriquecendo uma elite à custa do público.