A proposta de uma tarifa uniforme sobre importações, anunciada por Donald Trump, gera incertezas. Para Lia Valls, pesquisadora da UERJ, a aplicação desse imposto pode ser inédita na história americana.
Anunciada na tarde desta quarta-feira (2), a forma de cálculo das alíquotas sobre importações propostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ainda desperta dúvidas. Segundo Lia Valls, pesquisadora associada do FGV Ibre e professora da UERJ, uma tarifa uniforme para todas as importações poderia ser algo sem precedentes na história americana.
Durante seu pronunciamento, Trump apresentou uma tabela com a média de impostos de importação praticados por outros países contra os Estados Unidos. Segundo a Casa Branca, essa média baseia-se na taxa combinada de todas as tarifas, barreiras não monetárias e outros métodos utilizados.
Valls menciona que não está claro se essa média se aplicará igualmente a todos os produtos ou se haverá diferenciações para alcançá-la. A especialista advertiu que a aplicação uniforme poderia marcar uma mudança significativa nas práticas comerciais dos EUA.
Assim, ao apresentar tarifas recíprocas que são aproximadamente a metade da média cobrada por outros países, Trump justificou que isso ocorre porque “somos gentis”. Para o Brasil, a tarifa total foi fixada em 10%, que corresponde à média que o país cobra dos EUA. Ele também anunciou que a taxa mínima será de 10% para todos os países a partir de agora.

Valls esclarece que, enquanto a tarifa mínima para a entrada dos produtos nos Estados Unidos é de 10%, alguns itens, como aço e alumínio, já enfrentam taxações que superam os 25%, estabelecidas por Trump desde fevereiro deste ano.