A discussão sobre os impactos das medidas do segundo mandato de Donald Trump em relação à inteligência artificial foi um dos destaques do Mobile World Congress, onde o presidente anunciou uma abordagem mais unilateral na corrida tecnológica.
Os impactos políticos das medidas adotadas pelo segundo mandato de Donald Trump na presidência dos Estados Unidos em relação à inteligência artificial (IA) foram debatidos no Mobile World Congress nesta terça-feira. Desde seu retorno à Casa Branca, o republicano anulou decretos do governo Biden, assumindo uma postura menos colaborativa para tornar os EUA “a capital mundial da IA”.
Painel analisou o impacto do segundo governo de Donald Trump sobre o desenvolvimento da IA no mundo (Crédito: Caio Fulgêncio)
Marcos Somol, cofundador e CEO da Hyacinth AI, afirmou que a administração Trump visa principalmente “dinheiro e poder”. Ele acredita que a relação do presidente com as big techs indica que elas serão as primeiras beneficiadas, mas empresas menores também poderão aproveitar novos negócios.
As preocupações em torno da revogação das salvaguardas anteriores foram expressas por Mallory Knodel, diretora executiva da Social Web Foundation, que apontou que o foco deve ser na proteção de dados sensíveis e na conformidade.
Do outro lado do Atlântico
O Stargate, uma iniciativa privada, prevê investimentos de US$ 500 bilhões em IA, colocando a Europa em uma posição desvantajosa na corrida pela inovação. José Torreblanca, do Conselho Europeu de Relações Exteriores, destacou que, apesar das dificuldades, a União Europeia pode encontrar meios de se recuperar no mercado global.
Trump e a governança global
A União Europeia está iniciando a revisão de suas regras sobre IA, buscando estabelecer padrões rigorosos, enquanto os EUA optaram por não assinar a Declaração da Cúpula de Paris. Mallory enfatizou que a fragmentação do desenvolvimento da IA gera desafios para a padronização e a colaboração global entre países e empresas.
Em contraste, Somol menciona que uma regulamentação excessiva pode inibir a inovação, usando a aviação como exemplo de setor que se beneficiou da desregulamentação. Para ele, é essencial equilibrar segurança com inovação para permitir que a IA atinja seu potencial no mercado.
Como alerta Mallory, a aceleração da IA sem supervisão pode resultar em retrocessos em direitos humanos e privacidade. A nova abordagem pode abrir espaço para sérios dilemas éticos relacionados à utilização de dados pessoais.